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Pavão mysterioso

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Eles são muitos

Mas não podem voar

Em conversa com os estudantes ontem,  citei o verso acima na vã tentativa de mostrar aos meus gentis interlocutores que o momento é difícil, mas eles não devem perder a esperança apesar de todas as aflições e mazelas que hoje enfrentamos.

Percebi o estranhamento de alguns, mas não cuidei de dar o devido esclarecimento aos jovens de onde veio a frase. Cuidado que tenho agora ao replicar aqui este post que escrevi em setembro de  2009 para a série Se o mundo não deu certo, não foi por falta de trilha sonora.

Leiam…

(…)

“1976 foi um ano difícil para o Brasil, mas revelou-se também o grande ano para a chamada Geração de Briga da música popular brasileira (Ivan Lins, João Bosco, Belchior, Fagner, Ednardo, Amelinha, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Walter Franco, Jards Macalé, Melodia, Mautner, os Novos Baianos, o pessoal do Clube da Esquina, entre outros).

E a primeira canção a derrubar as barreiras até então intransponíveis dos meios de comunicação foi “Pavão Mysterioso”, de Ednardo, que apareceu na trilha da novela “Saramandaia”. A trama de Dias Gomes e os versos do cearense José Ednardo Costa Souza, então com 29 anos, tinham em comum certo surrealismo, recurso mais do que necessário para driblar a ferrenha censura dos tempos ditatoriais.

Se na novela, o coronel do sertão botava formiga pelas ventas quando era contrariado e o mocinho João Gibão tinha o dom de voar, sempre que instado à luta, a canção trazia um verso definitivo para aqueles tempos de obscurantismo, numa sinuosa referência aos estapafúrdios senhores do poder e a seus asseclas do mal.

Não temas minha donzela
Nossa sorte nessa guerra
Eles são muitos
Mas não podem voar

A repercussão foi imediata e surpreendente até para o próprio cantor/compositor. Inclusive porque estava prestes a lançar seu segundo disco solo (“Berro”) e a música em questão era a faixa título do elepê de estréia.

Oportunamente, à época, a RCA recolocou o disco anterior do cearense em catálogo e investiu pesado no lançamento de“Berro” – que, a bem da verdade, deveria se chamar “Do Boi Só Se Perde o Berro”, título que foi vetado pela censura.

A audição do disco hoje pode soar datada;  mas, creiam, é imprescindível.”

(…)

É isso…

Agora vamos cuidar de assistir ao jogo da seleção na Copa, pois afinal ninguém aqui é de ferro…

 

*(foto: reprodução)
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