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Por isso e para isso…

O semblante da senhora transmite tranqüilidade, paz – e certo sorriso.

Deve beirar os 70 e, acreditem, caminha como se nada houvesse no mundo à beira da leito da grande avenida, a esta hora da manhã, recheada de veículos que formam um longo congestionamento.

Parece até que se diverte a olhar a expressão já cansada dos motoristas e das pessoas, como eu, encalacradas no trânsito em automóveis, em ônibus, em caminhões a ir a procura da vida que almejamos.

Ela caminha em passo pausado, sem pressa de chegar.

Veste-se com roupas simples, gastas – e arremata o estilo com um gorro de crochê marinho a equilibrar-se maneiramente no alto de sua cabeça.

Desconfio que poucos nós conseguem vê-la, na eloqüência de sua humildade e na dignidade de seu labor.

Raros conseguem destacá-la da paisagem cinza desta manhã de sexta.

Ela e sua carrocinha de tábuas verdes musgos de catar tralhas, papel e papelão. Que a senhora puxa e leva, com a naturalidade de quem entende que a vida leva e trás. Tem lá seus desvãos, seus dissabores, mas devemos todos seguir em frente.

Não sei se sou eu que ando com os parafusos frouxos e sensíveis. Ou se foram os sonhos que deixei pelo caminho, sem coragem para sequer recolhê-los e acalentá-los…

A cena da senhorinha feliz chama atenção, e me toca a ponto de querer reverenciá-la em crônica no exato dia em que o repórter viralata completa três anos como blogueiro. Quem diria…

Modestamente, acho queo blog só existe – e me faz feliz – por isso e para isso.

* FOTO NO BLOG: Camila Bevilacqua

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