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Por onde anda o Dr. Nicola? – Parte 2

Escova está inconformado.

Mesmo seu rechonchudo currículo de mulheres conquistadas – “entre as moçoilas de 20 e os 50 e tantos, já transitei legal, ainda causo e deixo saudades” – já não lhe serve de base pra quase nada. Por isso, ele está prestes a desistir de tais façanhas.

— Alguém precisa me explicar o que está havendo com elas…

Em tempos de redes, faces e que tais, o bom malandro não consegue decifrar o que as moças de hoje querem.

— Sim, não, sim, não… Elas só embaçam.

É o que ele me diz – e, como prova, mostra a mensagem que recebeu, via email, e lhe trouxe tanto alvoroço:

"Engraçado quando penso,
por que não gosto de pensar…
Mas quando penso, penso em você.
E nas sutilezas que nos envolvem.

Pra você, parece ser chato.
Essas e outras coisas. Nada demais. Só chato.
Como as boas coisas da vida se tornam.

Venho aqui para te dizer que te gosto.
De um jeito simples.
Simples e sutil, o que talvez não seja tão chato.

Toque a bola para que eu jogue.
Eu jogo bem, só não tenho camisa.
E o jogo não tem apito.
E todos os juízes são ladrões.

Senti sua falta.”

Fez-se o silêncio.

Senti que o amigo esperava por minhas sábias palavras. Na ausência do Dr. Nicola, qualquer patacoada lhe soaria como uma mensagem do oráculo.

Pego de surpresa, juro que procurei ser o mais sincero que pude.

Fiz pose de Café Filosófico, e mandei ver:

— Que ela tem certa desenvoltura para se expressar, é notório. Que gosta de futebol, é inegável. De resto, meu camarada, nada mais posso lhe assegurar. Se me permite, um palpite: esquece! Ela não virá. Mulher quando quer alguém, não manda recado. Vem pessoalmente, e dá início ao jogo quando bem entende.

Não sei se Escova gostou do meu prognóstico. Desconfio que continuou inconformado. Saiu dizendo que precisava encontrar o Dr. Nicola a qualquer custo…

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