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Sombras e neblina

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1h28. 10 de maio.

Madrugadaça quinta pra sexta em Bernô City.

Gosto de escrever a esta hora da noite.

Mesmo que não tenha um tema pré-escolhido, como agora, venho para o computador, aproveito o silêncio que reina, para batucar letrinha atrás de letrinha. Não importa que seja, única e tão somente, um arremedo da crônica que supostamente pretendo postar na manhã seguinte.

A recomendação que tenho dos amigos é para fugir das notícias do dia.

Não posso decepcioná-los.

Então, sigo  meu inglório ‘tectectec’ no teclado gasto pelo uso diário de anos e anos.

Um olho na tela, outro na janela. Através da qual vejo as luzes esmaecidas de uma cidade adormecida.

As ruas vazias e a névoa tênue do outono me fazem lembrar um antigo filme de Woody Allen; creio que do início dos anos 90.

Neblinas e Sombras,o título.

(Ou Sombras e Neblina?)

Um filme noir, alguém me disse.

O próprio diretor era o protagonista, se bem lembro.

Faz um burocrata desajeitado que se junta a um grupo de moradores que estão ao encalço de um serial killer.

O cenário é uma pequena cidade, perdida num oco qualquer do mundo, encoberta por um denso fog.

Li à época que o climão de suspense, o tom escuro do filme, em preto e branco, eram reverencia ao expressionismo alemão.

Como nada entendo de expressionismo alemão (ou de qualquer outra nacionalidade), faço o registro e, à moda de um maljambrado Pilatos, lavo minhas mãos.

Minhas lembranças não vão mais além sobre o enredo.

Recordo, sim, cenas divertidas que envolvem o nosso herói e a trupe de um circo mambembe na caçada ao meliante. Com destaque também para Mia Farrow (a engolidora de espada) e Madonna (sim, ela mesma, a cantora que faz uma sensual trapezista).

Causava frisson  toda vez que uma delas se embrenhava, noite adentro, em meio às nuvens  – e logo se ouvia o barulho de passos, como se alguém as tivessem seguindo por ruas e vielas escuras.

Seria o assassino?

Mesmo me sabendo inalcançável, no conforto da sala de cinema, confesso que sentia uns calafrios temendo pela sorte das moçoilas – e, sei lá, porque pela minha também.

Acho que nem Freud explica.

Coisas do menino grande que nunca deixei de ser.

Ah…

Antes que me perguntem, vou logo dizendo que, ao menos até o momento, não há nenhum serial killer solto em plagas sambernardenses.  Também não tenho notícia de que haja algum circo armado pelas imediações do bairro onde moro.

(Se bem que seja relativamente comum ver alguns malabaristas fazerem acrobacias numa das esquinas da Avenida Kennedy em troca de alguns trocados.)

Por outra, imagino eu que, nessa altura do campeonato, jogo entregue, não haja ninguém disposto a me seguir. Seja pelas quebradas nebulosas da vida, seja nas redes sociais que não tenho.

Mesmo assim, meus amáveis cinco ou seis leitores (se é que ainda estão por aí?), preciso lhes confessar: o mundo anda bem assustador; não acham, não?

Tem outra: hoje é dia 10, dia de pagar conta!

 

 

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