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Tio Neno e a santinha

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Aproveito este 22 de maio – dia consagrado à Santa Rita de Cássia – para lembrar o Tio Neno, devoto incondicional da santinha das causas impossíveis.

Desconfio que já lhes falei do meu saudoso tio e/ou da abençoada Rita neste Blog.

Próximos aos 4 mil posts, do que não falei por aqui?

(…)

Neno, na pia batismal, recebeu o solene nome de Domingos André Avezzani.  Ainda relativamente jovem, o tio alcançou alguma graça milagrosa e, como paga, comprou uma imagem de Santa Rita, dessas que se vê nas igrejas. Grandes, tamanho quase natural.

Improvisou um altar sobre o tampo da cômoda de camisas que tinha em seu quarto – e ali, vez ou outra, todos da família fazia suas orações.

Era garoto – e desde então eu tinha essa tendência a ficar imaginando coisas.

Por isso aquela peregrinação ao quarto do tio me deixava um tanto encafifado, entre o encantado e o perplexo. Algo assustado também. Havia sempre uma vela queimando em louvor da santa.

O que teria levado o Neno a fazer tal promessa? Qual seria a misteriosa promessa?

Nunca, nós da família, tivemos qualquer vestígio da resposta.

Um segredo que levou até o fim da vida.

(…)

Voltemos ao quarto do tio na casa da vó Ignês e do vô Carlito…

Antes de ali instalarem o aparato divino, eu gostava de entrar naquele aposento  para bisbilhotar a coleção de ternos elegantes e gravatas de seda que o tio possuía.

Esperava o Neno sair, e ia lá mexer nas suas coisas.

Mesmo sendo um modesto operário do chão da fabrica de tecidos Vetorazzo (onde o pai e o tio Toninho também trabalhavam), Tio Neno andava sempre nos trinques.

Gostava de ir aos cinemas, a exposições, essas atividades culturais… Sempre no estilo. Impecável.

Ele gostava de música espanhola.

Tinha um gosto refinado o tio…

(…)

Eu achava bonito aquilo tudo.

Pensava que, no futuro, também teria a minha coleção de costumes, comprados em A Exposição ou na Garbo.

As gravatas não me seduziam tanto, mas os paletós de lãzinha e tweed eram meus prediletos.

Depois que colocaram a santinha por ali, perdi a privacidade naquele espaço. Passou a ser um lugar sagrado, paroquial.

Vira e mexe, a mãe, a tia, as primas vinham rezar e pedir proteção à santa.

(…)

Nas horas dos apuros no Grupo Escolar Oscar Thompson, confesso que também me socorria da Santa para me salvar de uma eventual reprovação

Ufa! Ela nunca me faltou…

Desde então dedico a ela uma sincera devoção que me levou, há alguns anos, a visitar Cássia, no norte da Itália, sua terra natal.

Fiquei emocionado.

(…)

À Santa Rita, peço todos os dias. Por mim, por minha família e por nós.

Que a ELA interceda pela alma do Tio Neno e de todos os meus familiares e amigos que já se foram.

E que continue a nos dirigir e guardar… Amém!

*(foto: arquivo pessoal)
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