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You say goodbye

— Você andou sumido.

A resposta veio na forma singela dos velhos políticos mineiros para explicar o inexplicável.

— Estou onde sempre estive.

A moça ficou desconcertada.

Talvez esperasse ouvir algo mais romântico.

Disse apenas:

— É.

Ele percebeu a mancada – e tentou remendar:

— Nada que um toque celular não me alcance.

Ela sorriu timidamente. Tinha um ar de decepção. Despediu-se com um meneio de cabeça, como se ajeitasse os cabelos lisos e negros. Saiu pisando macio e a se perder em meio ao tumulto da Praça de Alimentação na hora do almoço.

Ele a seguiu com os olhos, em silêncio. Como se nada houvesse acontecido.

Não estava triste, nem feliz.

Cena comum de shopping qualquer de uma cidade qualquer.

Foi um encontro casual. Nada de extraordinário, alguém dirá.

Tenho cá minhas dúvidas.

Como sabem, tenho uma tendência de imaginar coisas.

Buscar histórias.

Bem que poderia ser o grande encontro da vida dos dois.

Por que não?

Os dois se conheciam, certamente.

Não eram propriamente amigos, amigos.

É possível que, em uma dessas baladas da vida, pintou o tal clima, e eles acabaram ficando.

Sinceramente, mesmo a distância, me pareceu que ambos apreciaram o reencontro.

Mas, para decepção deste modesto escriba que imaginou lhes narrar uma historieta com final feliz, não souberam aproveitar o que o Sr. Acaso lhes proporcionou.

Coisas da vida.

Vou lhes dizer mais.

Exibiram um ar de que tinham algo mais importante para fazer da vida, quando se despediram.

Que pena!, lamentei por eles e por mim que perdi o mote da crônica.

Lembrei-me da velha canção dos Beatles:

“You say goodbye
And I say hello”

E assim, entre um “olá” e um “adeus”, caminha a humanidade.

* FOTO NO BLOG: Jô Rabelo

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