Foto: Fernando Sabino/Divulgação
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Há coisa de uma semana…
É.
Foi na sexta passada que citei uma crônica antiga de Fernando Sabino (1923/2004) que, de certa forma, bem de certa forma mesmo, serviu-me de inspiração para o post daquele dia – o Amanhece na cidade.
Na crônica do notável autor mineiro, o personagem era um boêmio contumaz que, por reservar-se à vida noturna da cidade, não sabia mais como era a vida das pessoas quando o dia amanhecia – e se dava a vida real. Sabino retratava esses estranhamentos num texto, que me lembre, primoroso.
Mesmo sem ser o tal boêmio (já foi o tempo e não sou do ramo), e se me permitem a comparação, vivi experiência semelhante na sexta da semana passada. Por força de um compromisso protocolar, precisei atravessar São Paulo no amanhecer daquele dia – e tive lá meus estranhamentos também.
Coisas da idade, disse-me um amigo.
Ando bem recluso, reconheço.
De qualquer forma, assim que voltei para casa, vasculhei os livros do Sabino que tenho e mesmo os googles e IAs da vida para encontrar e reler a tal crônica – e não a encontrei.
Mesmo assim, fiz o post.
Somente ontem o tal amigo do comentário acima (não preciso dizer, mas digo que é o Escova) me encaminhou o que ele considera a crônica do Sabino a que eu me referi.
Trata-se, segundo o Escova, de A Última Crônica, escrita em janeiro de 1963 e publicada também no livro “A Companheira de Viagem” (1925).
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A crônica é lindíssima, Escova.
Ficou famosa por encerrar a participação do autor na Revista Manchete.
Traz um momento sublime do autor à procura de um tema.
Permitam-me, Escova e amáveis leitores, transcrevê-lo:
“A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava o circunstancial, o episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança, ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial”.
Lindo, não?
Sou suspeito para falar. Sabino é uma das minhas referências.
Foi importantíssimo para minha formação como jornalista e, vá lá!, cronista mambembe que tento ser.
Se quiserem saber o motivo, cliquem abaixo e leiam:
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Enfim – e por fim…
Digo-lhes que fiquei gratíssimo ao amigo Escova, o cuidado que teve em procurar a crônica.
Emocionei-me nostalgicamente, como sempre acontece, quando leio textos de Fernando Sabino.
Valeu Escova!
Sempre valerá, amigos leitores!
Mas, porém, contudo, entretanto, todavia…
Ainda não é a crônica que estou procurando – e não acho.
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TRILHA SONORA
Em reciprocidade ao afago que o Escova me fez procurando a bendita crônica, trago-lhes um bolero, daqueles antigos que o velho repórter que conheci na Redação das Antigas cantarolava enquanto, cigarro no canto da boca, ajeitava duas laudas, um sobre a outra, para datilografar o texto da reportagem e, assim, abafar o som metálico da velha e rústica Olivetti.
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