Foto: reprodução/Instagram_jardsmacaleoficial
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Guardo a manhã do sábado para o registro e homenagem (ainda que tardios) a Jards Macalé.
Começo lhes dizendo da vaga lembrança que tenho de encontrar Jards Macalé (1943/2025) nos corredores da sede da gravadora Philips, imediações da avenida Paulista, em São Paulo.
Éramos um grupo de repórteres à espera de Gal Costa, a star que faria show no antigo Palace (alguém aí se lembra da histórica casa de espetáculo em Moema?) naquele fim de semana.
Instado por um de nós, Jards aproximou-se da turma e conversou rapidamente em tom de bate-papo mesmo. Brincou que não era ele “a luminosa estrela do dia”. Ressaltou, no entanto, a apaixonada admiração por Gal e pela música popular brasileira.
Saiu de cena antes mesmo da cantora chegar à improvisada Sala de Imprensa.
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Outro repórter, ao meu lado, comentou para a roda dos colegas. Diria que comentou em tom professoral, era um tantinho mais experiente que nós pela vasta cabeleira platinada:
Que, entre todos os ‘malditos’ da chamada Geração de Briga da MPB (explico: a turma que veio após a eclosão da Era dos Festivais, do Tropicalismo e do famigerado AI-5 e que não tinha espaço nas mídias de então, especialmente a TV e o rádio: João Bosco, Ivan Lins, Alceu Valença, Luiz Melodia, Geraldo Azevedo, a turma dos Novos Baianos, Djavan, Geraldo Azevedo, Belchior, entre outros tantos e tamanhos), Jards Macalé “era o talento mais injustiçado”.
Sua música merecia atenção por parte do público e da chamada ‘crítica especializada’.
Fez ainda uma ressalva que nunca esqueci.
Assim como ele, outros nomes eram tristemente ignorados: Jorge Mautner, Walter Franco (1945/2019) e Sérgio Sampaio (1947/1994).
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Penso que só me dei conta da amplitude do comentário do colega repórter (Dirceu Soares, talvez; não tenho certeza) ao ler nesta semana a homenagem que Caetano Veloso fez a Macalé no Instagram.
Emocionante, leiam:
“Sem Macalé não haveria Transa”. Estou chorando porque ele morreu hoje. Foi meu primeiro amigo carioca da música. “Antes de Bethânia imaginar que seria chamada para o Opinião, Alvaro Guimarães, diretor teatral baiano, me trouxe ao Rio para montar e mixar o curta para o qual eu tinha feito a trilha. Fui parar na casa de Macalé. E ele tocou violão. Me encantei. Ele tocou com Beta, lançou composições, chamei-o para Londres e: Transa. Na volta, ele e eu seguimos na música. Que a música siga mantendo a essência desse ipanemense amado. Beijo carinhoso para Rejane (atriz Rejane Schumann, casada com Macalé desde 2018)”.
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A propósito, a última vez que vi Jards Macalé em cena foi durante a participação que fez no show Transa, de Caetano Veloso, no Espaço das Américas, em São Paulo.
Faz dois ou três anos, se tanto.
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E, assim, aos 82 anos, lá se foi mais um dos grandes, e imprescindíveis.
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TRILHA SONORA
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