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CPMF, o repeteco

“Alguém, por acaso, sabe me dizer quais foram os resultados práticos do IPMF (na verdade, o antecessor do CPMF), do empréstimo compulsório da gasolina e das taxas sociais que aparecem sempre que há uma tragédia por aqui? Como diria o poeta, são demais os perigos desses impostos que, invariavelmente, acabam por punir a todos para privilegiar uma pequena casta de privilegiados — e aqui vale a ênfase pela repetição. Nada vai mudar — esta é dura verdade. Será que, a partir de agora, estaremos livres de outras calamidades como a tragédia hemodiálise de Caruaru ou a da Clínica Santa Genoveva?

Outro ponto que merece peculiar atenção. A aprovação do CPMF, certamente, trará reflexos mais negativos que positivos para a Economia. Alguns analistas de mercado acham que mesmo o Plano Real pode estar correndo um risco absolutamente desnecessário. Explica-se o raciocínio: o imposto tem alto teor inflacionário, o que não condiz com o discurso governamental pró-estabilidade econômica. O impacto da nova taxa sobre os preços é inevitável. Haverá um custo maior para bens e serviços. A taxa de juros para o tomador de empréstimo deverá subir, mas para o aplicador o rendimento líquido tende a cair. Com a elevação dos juros, a dívida pública tende a subir e ainda há os riscos de tangenciar as exportações e afetar a débil balança comercial.

Quer dizer: estrangulou-se a Economia, submeteu-se os diversos segmentos da sociedade a duros sacrifícios, desemprego, falências, desestímulo ao mercado financeiro — e agora se joga tudo para os ares. E seja o que Deus quiser. O vice-presidente do Banco Pontual, Claudio Lellis, disse a frase que resume a semana: O governo fala muito em reduzir o Custo Brasil, mas o que acaba fazendo é criar mais um imposto.”

*Escrevi as mal traçadas em julho de 1996. Qualquer semelhança com os tronchos dias que vivemos não é coincidência, é a triste realidade de um País que não consegue que insiste em abrir de um futuro promissor.

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