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Éramos Seis, a novela das seis

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Foto: Paulo Belote/Globo

Termina hoje a novela Éramos Seis.

Penso que cumpriu o papel que bem cabe ao todo e qualquer folhetim que se preze: entreter e emocionar ao distinto público noveleiro.

É a quarta adaptação que a TV faz para a obra de Maria José Dupré. A saga de Dona Lola, viúva e determinada, na criação dos  quatro filhos durante as primeiras décadas do século 20.

As versões anteriores foram em 1967 (com Cleide Yaconis como protagonista) e 1977 (com Nicette Bruno) na TV Tupi, e 1994 (com Irene Ravache) no SBT.

Foram leituras mais próximas ao original. Mais densas, eu diria.

Aliás, no remake  atual (assinada por Ângela Alves) na Globo, um achado, diria, poético e reverencioso: a Lola de Glória Pires contracena, num dos capítulos desta semana, com as duas outras Lolas anteriores (Nicette e Irene). As três se encontram no amplo jardim de um pensionato para idosos onde Lola/Glória ameaça passar seus últimos dias.

Foi uma cena bonita, delicada; sobretudo, pela emoção das atrizes.

Não, amigos, não sou um noveleiro-mor. Mas, sei um pouco do riscado.

Aprendi com o saudoso amigo Ismael Fernandes, jornalista, escritor, autor de teatro e pesquisador que amava o gênero. Tanto que escreveu a obra clássica – obrigatória para todo e qualquer interessado na história dos folhetins na TV brasileira – Memória da Telenovela Brasileira.

O IF chegou inclusive a assinar duas novelas para o SBT – Meus Filhos, Minha Vida (1984) e Uma Esperança no Ar (1985/86).

Nos papos diários no cotidiano da velha redação de piso assoalhado, ele nos inteirava sobre as novidades do mundo televisivo (era especializado na área) e, principalmente, as tramas noveleiras da noite anterior.

Fingíamos certa indiferença, é verdade.

Mas, dissimulados, prestávamos uma atenção danada no que descrevia o amigo.

Não raro havia até um ou outro abusado que só, ávido a dar um pitaco rocambolesco nos enredos.

Éramos Seis, seguramente, estava entre suas novelas preferidas. Tanto que andou colaborando como consultor para a adaptação de 94.

Confesso que não foi somente a saudade do amigo que me tocou ao ver os capítulos derradeiros nesta inédita semana de distanciamento social (aprendi ontem a expressão).

Fiquei bastante comovido com a interpretação de Cássio Gabus Mendes como Seo Afonso.

Achei corretíssima, passou sinceridade.

Não sei…

Penso que a forma dele atuar fez me lembrar o tio, o grande ator Luiz Gustavo nos melhores momentos. O ritmo da fala, o jeitão de contracenar, a presença em cena, até leve semelhança física.

Sei lá…

Pode ser só uma impressão.

Mas, lembrei – e aplaudi.

Depois de certa idade, amigos, ficamos um pouco mais assim… À flor da pele, vendo coisiquinhas que nos são muito-muito caras – e nossas, só nossas.

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