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Jennings e Juca

– Senhor Havelange, o senhor é ladrão?

O todo-poderoso senhor das coisas do Planeta Bola não quis acreditar no que ouvia. Ele acabava de sair de um dos mais nobres hotéis europeus e aguardava o carro que o levaria para uma reunião de notáveis na Fifa. De quem seria aquela voz impertinente a lhe incomodar em público, em plena luz do dia.

– Responda, Senhor Havelange, o senhor é ladrão?

Não precisou de muito para reconhecer quem era o seu interlocutor. Tratava-se do jornalista inglês Andrew Jennings que o ‘peitava’ ao vivo e em cores.

Havelange escafedeu-se. Mas a cena espalhou-se mundo afora e ganhou projeção quando Jennings, meses depois, lançou o livro “Jogo Sujo – O Mundo Secreto da Fifa: Compra de Votos e Escândalo de Ingressos”.

Bem (ou mal) que a Fifa tentou proibir o livro.

Em vão!

Quem saiu de cena, tempos depois, foi o próprio Havelange e outros tantos seguidores (entre os quais, o então presidente da CBF, Ricardo Teixeira), pois o cerco da Justiça já os acossava. Para livrar-se de qualquer suspeita, a principal entidade do futebol mundial defenestrou a turma, tentando salvar as aparências às vésperas do trágico comigo Mundial no Brasil.

Feita a limpa e a Copa, a tigrada da Fifa e congêneres imaginou-se livre para continuar a perpetuar-se no Poder e nos desmandos. Até que ontem – como todos sabem – na Suíça (quanta ironia!), outros tantos mandatários do futebol foram presos acusados de corrupção, lavagem de dinheiro e outras tantas bagaças do gênero ‘proibidão’.

Contam que é só o começo – e agora não tem jeitinho que de jeito. A Justiça Americana entrou em ação, tal e qual o roteiro de um filme de aventura.
Pânico generalizado pra turma que deve e agora teme.

Contam que, quando ouviu a ordem de prisão, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, tentou o único argumento que lhe passou pela mente.

“Mas, só eu vou preso? Cadê os outros?”

Ele e os seus parceiros de presídio amanheceram devidamente atrás das grades e banidos pela Fifa.

Em Terras Brasilis, o prédio da nova sede da CBF também viu nascer sem o letreiro que lhe dava nome:

“Prédio José Maria Marin”

Nem a Máfia age tão rápida com aqueles que já não lhe servem…

(***)

Permitam-me nesta hora reverenciar o jornalista Juca Kfouri que, ao longo de todos esses anos, lutou, corajosamente, pela decência do futebol brasileiro. Outros jornalistas – não todos, entendam! – toparam enfrentar os poderosos de plantão, mas Juca foi o grande exemplo para todos nós.

Se hoje podemos acreditar em novos tempos para o futebol, muito se deve a quem nunca desistiu de combater o bom combate.

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