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Não era assim…

Fiquei em dúvida se deveria ou não meter minha colher de pau nesse angu que desandou durante a apuração dos resultados do desfile das escolas de samba paulistanas.

Relutei porque sou das antigas – e, linha a mais, linha a menos, iria bater na tecla já gasta de que “no meu tempo não era assim”.

E não era mesmo.

Explico. Não sou expert no tal “tríduo momesco”. Mas, durante quase 20 anos, bati ponto regularmente na avenida Tiradentes (onde eram realizados os desfiles) e depois no Sambódromo da Erundina, como se dizia à época da inauguração. Trabalhei como repórter e também como editor em punhado de desfiles. Cobri desde grupos de acesso, desses que se exibem em bairros distantes, até o chamado Grupo Especial.

Também trabalhei em algumas apurações conturbadas. Presenciei muita gritaria, discussões, controvérsias, murros na mesa (pobre mesa), ânimos exaltados. Mas, o que pontuava ali era um respeito mútuo entre os representantes das diversas agremiações.

Cada um defendia o seu lado, com veemência.

Era fácil notar, no entanto, que o interesse comum de todos era a defesa e a consolidação do Carnaval de Rua de São Paulo.

Ninguém era santo, é bom que se registre.

Mas, tinham uma aura de sambista que, permitam-me dizer, não consigo identificar nos dirigentes de agora.

Para que não paire quaisquer dúvidas, dou nome àqueles valorosos pioneiros. Estou falando de um tempo em que os presidentes das escolas eram Chiclet (Vai-Vai), Seo Nenê (Nenê de Vila Matilde), Basílio (Rosas), Juarez (Mocidade), Geraldo Filme (Paulistano da Glória), Tobias (Camisa), Sinval (Império do Cambuci), Pé Rachado (Barroca Zona Sul), Tia Eunice (Lavapés), entre outros.

Hora da saudade, alguém há de dizer.

Não lhe tiro a razão.

Hora da saudade e da reverência a esses grandes sambistas.

Hora também de lamentar as cenas que presenciei, todos presenciamos e que não honram o legado que eles deixaram…

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