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O futebol-arte acabou

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Continuo hoje com nossa conversa de ontem…

O que acontece com o futebol brasileiro? Por que está longe de suas grandes conquistas? Por que não somos mais o que antes fomos, os Reis do Planeta Bola?

Sabemos de cor e salteado que os problemas estruturais pesam – e muito – no contexto. Questões, tipo calendário, dirigentes despreparados, as fajutices da CBF, clubes arrebentados, a ação predatória de empresários, desorganização e cousa e lousa e mariposa, óbvio, são fatores determinantes.

Isto já foi – e é – cantado em verso e prosa em toda e qualquer mesa-redonda que ponha o assunto em pauta.

No meu humilde entender, porém, há dois pontos que raramente ouço tocarem ao discutir o assunto.

A saber:

1 – O futebol que hoje se pratica – e impera no mundo todo, graças à globalização – tem muito pouco a ver com aquele que existia quando éramos os tais.

2 – O jogador de futebol deixou de ser um ‘artista da bola’ para ser um superatleta. E o que é mais grave, especialmente entre os brazucas: deixa de ser um boleiro para tornar-se celebridade. Andar nas altas rodas, bombar nas redes sociais, ditar modinhas e dancinhas, ser referência publicitária, viver num patamar de privilégios, bem distante da dura realidade das disputas das quatro linhas.

Tento explicar.

II.

Amamos o futebol-arte.

Mas, vamos ser sinceros, o futebol-arte acabou, não existe mais.

Os gringos arranjaram um jeito de destruí-lo, simples assim.

Táticas, estratégias, sistemas e muito preparo físico ao longo de anos, décadas, determinaram que, atualmente, o coletivo se sobreponha à individualidade.

Dribles, meneios, improvisos, lances que realcem a genialidade deste ou daquele precisam incorporar, ser parte de um esquema, firmemente, treinado e ajustado durante semanas, meses, anos.

Hoje o futebol à euroupeia é robotizado. Vale-se da ciência, das altas tecnologias, da informação, do tal entrosamento.

Em muitíssimos casos, os técnicos são as estrelas das equipes. São eles os responsáveis pelo ‘repertório de jogadas’ que se vê em campo. Não há espaço dentro das quatro linhas para que o craque se divirta, brinque e faça a diferença. Se não estiver sincronizado com estratégia da equipe, vão chamá-lo de doidivana, irresponsável, individualista.

Claro que bons jogadores, craques diferenciados, são importantes – e aí está, outra modernidade: eles surgem em qualquer parte do mundo, e não unicamente em Terra Brasilis – e decisivos. Mas, precisam estar justapostos em uma estrutura que funcione assim como uma máquina.

III.

Messi é um dos grandes jogadores que vi jogar.

Mas, emblematicamente, penso, é a comprovação do que lhes digo.

Ele se sai maravilhosamente bem no Barcelona porque está amparado, no coletivo, por um sistema de jogo que o faz brilhar.

Na seleção da Argentina, que vive dilema parecido com o nosso a cultivar o futebol de ontem, naufragou em todas as vãs tentativas de mostrar o indiscutível e enorme potencial que possui.

Sei, sei, tem a questão emocional que influi. É outro ponto que pretendo falar mais à frente quando tratar do item 2: os novos boleiros.

Pode ser amanhã.

IV.

Antes de terminar por hoje, faço dois registros:

1 – eu vi Pelé, Garrincha, Didi em ação. Fossem qual fossem os técnicos que os comandavam, continuavam a ser Pelé, Garrincha e Didi. Brilhantes! Na seleção e nos clubes.

2 – Não citei Cristiano Ronaldo por uma razão simples. É o que entendo ser a mais completa tradução do craque do futebol que hoje se pratica. Alia eficiência técnica, força, dedicação e muito treino.

Faz a diferença. Mas, não é um mago da bola.

Ilustração: Futebol Arte, obra de José Antônio Silva/divulgação
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