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O vendedor de panos de prato

Saio para caminhar na manhã desta sexta ensolarada. Rumino em pensamentos as pauladas do noticiário da semana. Soube de outra tragédia injustificável – que se junta outras tantas e tamanhas dos últimos dias. É a de hoje: o assassinato da jovem no pátio da empresa onde trabalhava pelo namorado que estava, sabe-se lá, prestes a ser abandonado. Lembro o alerta das colunas de Jânio de Freitas e Veríssimo que indiquei, dia desses, aqui mesmo no Blog, e que retratam um País embrutecido, à beira da débâcle social.

E ainda brincamos de organizar a Copa das Copas…

Assombra-me, de repente, a figura de um homem humilde, de certa idade, recostado à murada que serpenteia a frente de prédio comercial, luxuoso e reluzente.

É um vendedor de panos de prato – e ali está a contrastar, com a singeleza do seu negócio e da sua imagem, à movimentação da avenida de cunho comercial e trânsito pesado.

A sensação que me passa é a de que ele sempre esteve ali, compondo (e provocando) a paisagem. Está rodeado por pilhas dos produtos, feitos à mão, é muito provável, A enfeitar a borda de cada um deles, reparo, tiras coloridas, ora em xadrez, ora em uma estampa de flores.

Penso em me aproximar, falar com ele.

Desisto ao vê-lo remexer o artesanato, separando três ou quatro para servi-lhe do chapéu e proteger sua cabeça e rosto do sol. Agora, ele brinca de fantasiar-se de pano de prato espalhando alguns deles sobre o corpo.

Deve ser uma espécie de marketing intuitivo para atrair a atração das pessoas.

Parece um totem.

Eu o imagino uma reverência à brasilidade brincalhona e inocente de tempos idos, um jeitão bem nosso, irreverente e inocente, que, ao que parece, deixou de existir.

Mas ainda resiste nesse valoroso trabalhador…

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