Ilustração: Canvas
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Naqueles idos e vividos tempos…
Quando foi?
Nossa! Muito tempo. Uns 15, 20 anos, por aí.
Lembro ainda hoje.
Terminada a aula de Linguagem Jornalística, uma das alunas, a Vanessa, me procurou para dizer:
Estava em dúvida. Após ler alguns textos de minha autoria, ela não sabia se a historieta que narrei era verdade. Ou se eu havia imaginado aquilo tudo e transformado em uma história?
Vou dizer que fiquei lisonjeado com o comentário.
Mas, não sei lhe esclareci a dúvida.
Disse apenas que ao cronista é dado algum devaneio.
Mas, não lhe cabe tirar o pé da realidade.
Nosso ‘tijolo de segurança’.
Expliquei a ela que, por fim, a decisão – acreditar ou não – pertencia a ela, leitora.
Aliás, a decisão é sempre do leitor.
Diz um velho samba do Paulinho da Viola:
“As coisas estão no mundo…”.
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Dou-lhes um “por exemplo”.
Aconteceu ontem mesmo.
Acomodem-se, pois. Que lá vem história.
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Acompanho a conversa de desconhecidos ao meu lado, de enxerido que sou.
Corre solta minha sessão do estica_e_puxa em determinada ala da academia de ginástica – e, relativamente próximo a mim, o rapaz, (uns 40 anos, se tanto; ainda é rapaz, não?) conversa com a jovem mais jovem ao lado dele.
Não sei se ambos se conhecem ou apenas dividem o espaço comigo e outros desamparados.
Estou ali no aparelho de alongamento – culpa da minha dorida lombar – e o papo parece-me um tanto aleatório, conversinha à toa que, a bem da verdade, já lhes disse?, não me diz respeito.
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Fico na minha.
Até que o rapagão faz uma confissão (juro, que estava distraído até então).
Ele diz que, quando garoto, a mãe e o pai se separaram. Passado algum tempo, a mãe arranjou um namorado que tinha o hábito de visitar a amada sempre com o mesmo presentinho, no mínimo, exótico.
Uma melancia.
Sim, sim…
Dia sim e outro também, lá estava o Romeu apaixonado… Ele chegava com juras de amor a carregar uma vistosa melancia.
“Nunca comi tanta melancia em minha vida” – concluiu lacônico o rapaz.
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Não sei se a receita “amor com melancia” funcionou – e quanto tempo durou o tal affair.
Pelo que pude entender, a descrição se fez no tempo do passado que passou.
Não importa muito.
Importa que, como os amigos bem sabem, sou dado a imaginar coisas.
E não preciso dizer mais digo, mentalmente comecei, a partir da insólita narrativa, a imaginar a cena.
Pareceu-me divertida a princípio.
Depois algo insólita. O Belo todo pimpão, roupa nos trinques, cabelos nos conformes, uma rala barba bem aparada, perfumado e tal… Lá vai ele para a casa da mulher da sua vida. Leva um maço de flores do campo e… a indefectível e redonda melancia.
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Ah, o amor…
O amor e a vida têm lá suas entrâncias e reentrâncias (seja lá o que isso queira dizer; li num artigo de jornal dia desses e resolvi aproveitar nesse post/crônica ligeiramente romântico).
Cada um, cada um, meus caros e raros.
Só estou lhes contando o que ouvi.
Ou vocês acham que, do nada, inventei a história?
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TRILHA SONORA
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