Foto: Blog do RCM/Arquivo
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Ouço a conversa entre os funcionários do Hotel em que ficamos em Santorini, a celebrada ilha na Grécia de infatigáveis cenários e belezas.
Há um pórtico mágico num determinado canto da vila.
Lá, o pôr do Sol que dele se divisa é único, especialmente belo.
Fico atento aos que descrevem os jovens naquela bate-papo informal de troca de turno. Uns chegam para o serviço, outros saem para o encontro da noite que ora começa.
Eles falam…
Falam que, depois de se multiplicar em tons e sobretons de vermelho, alaranjado, amarelão e lilás (desconfio que não necessariamente nessa ordem), a imensidão do Céu se refaz em peculiares colorações entre o sépia, quase dourado e o marrom. É tudo muito rápido, acrescentam. Envolvente e belo, insistiem no adjetivo. Dura segundos, instantes depois um tênue azul-marinho se espalha e domina o Egeu e todo o infinito.
Tudo parece lúdico, encantado naquela ilha de construções indelevelmente alvas que se intercalam – e, por vezes, nos dão a sensação de que estão umas sobre as outras. Com inegável charme e a inebriar o olhar das gentes (turistas ou não).
Estou sem graça de perguntar a localização do tal portal – e se há algum tesouro por lá (tipo pote de ouro numa das pontas do arco-iris) ou mesmo se nos cabe algum dom caso o caminhane o atravesse.
(Não sei se apesar da longeva idade, ainda me sinto movido pelos enredos venturosos das histórias da coleção Reino Infantil que o pai me deu de presente assim que aprendi a ler, mas querem saber? Gosto de acreditar nessas reinações do fantástico e das boas fábulas.)
Era fim de tarde…
Ô saudade, das boas.
Voltávamos, eu e os meus, de andanças pela ilha, num mini Peugeot.
Circulamos praias, vilas e horizontes, daqui e dali, tudo para ver o anunciado pôr do sol que, a bem da verdade, é esplendoroso em quase todos os cantos da ilha.
Fotografei o que vi e o que não vi.
Portal? Portal?
Talvez eu tenha passado pelo tal e ainda em êxtase por estar ali naquele abençoado momento, não me dei conta de admirá-lo plena e devidamente. Em todas as suas nuances.
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Lembro apenas que, enquanto aguardava o capucino que pedi à moça do outro lado do balcão e ouvi aquela conversa entre risos e sem compromisso – eu também sorri e me senti tão feliz, mas tão feliz…
Que, naquela ocasião e agora (quando revejo algumas fotos de viagens antigas para um suposto livro de crônicas que pretendo publicar), tenho a plena sensação de que devo ter passado pelo tal pórtico e, ainda que distraído, fui devidamente agraciado.
Acreditam?
Olhem a foto que hoje ilustra o nosso Blog…
Talvez mereça capa, não?
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TRILHA SONORA
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