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O artesão de lindos balões coloridos

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O Sr. Ernesto era jornalista, aventureiro e fazedor de balões/Blog do RCM/Arquivo

O Flávio e a Elô, radialistas e jornalistas, colegas dos tempos que andávamos, os três, professorando no curso de jornalismo da Universidade Metodista, pedem-me que grave um áudio, “de uns dois minutos, no máximo”, para o podcast que estão fazendo e dirigido aos que têm mais de 50 anos

Sou um cara de empilhar letrinhas, como já lhes disse em post anteriores.

Não tenho lá essa desenvoltura toda diante de câmeras e microfones.

Além do que, pondero que minha participação talvez fosse mais autêntica, digamos assim, para outro tipo de programa: um que se destinasse “para os muito mais de 50”.

Enfim…

Achei divertida a proposta – e, no ato, pensei logo num livro que, sem pompas e circunstâncias, mudou a história da minha vida.

Vou dizer aos amigos e fiéis leitores (ainda estão aí?) qual é a obra.

Óbvio que é de um jornalista.

Jornalista, cronista e escritor Carlos Heitor Cony (1926/2018).

O livro que recomendei é Quase Memóriae foi lançado pela Companhia das Letras, em 1995.

O nome de Cony se inclui entre nossos mais renomados escritores brasileiros.

Não preciso dizer, mas digo: é uma referência para este malajambrado escrevinhador que sou.

Tenho, entre meus guardados, pastas e pastas de recortes de jornal, com a coluna que Cony publicou diariamente no jornal Folha de S.Paulo por longos anos. E, inevitável, um bom naco da minha estante recheado pelos livros que escreveu – e foram muitos, uns 50 títulos, entre romances, ensaios, contos e crônicas.

Vejam a capa e sigam a leitura…

Quase Memória é o que mais gosto.

É pura nostalgia. Um quase romance. Uma alegoria sensível.

Cony escreve – e lindamente escreve a biografia do próprio pai, o também jornalista Ernesto Cony Filho.

Saibam, amigos, que o Senhor Ernesto era uma figuraça.

Imprevisível, aventureiro e artesão de lindos balões coloridos.

Balões que, aos admirados olhos do filho, espalhavam poesia, sonho e deslumbramento nas noites de São João do mais antigo dos anos.

O relato me cativou logo de cara.

Explico o encantamento.

Ora eu me identificava com o filho, menino perplexo diante do universo – e ali também via meu filho, então garoto. Ora eu próprio me surpreendia ao me reconhecer, sem o mesmo dom, na pele do Sr. Ernesto, o contador de causos e artesão de histórias e bravatas.

Admirei o Sr. Ernesto em suas fabulações como um sonhador, uma espécie de Dom Quixote, aos moldes do Brasil dos anos 40 e 50.

Recomendei a leitura lá no podcast.

E assim o faço agora aos que me leem aqui no Blog.

Deixa leve o coração…

Há uma singela coincidência que faço questão de ressaltar.

Quando li Quase Memória pela primeira vez eu tinha a idade que o meu filho agora tem…

Ele também – tal o Sr. Ernesto, Cony e eu – se fez jornalista.

Eita…

Que a vida e a Literatura têm lá os seus mistérios.

O FILME

Descubro agora que há uma versão filmada do romance de Cony. Com direção de Ruy Guerra.

Não consegui encontrá-lo nas plataformas que pesquisei.

Quem sabe em alguma mostra?

Leio a sinópse que trata o Sr. Ernesto como “um homem excêntrico que sempre criou situações inusitadas”.

Vejam o trailler – e leiam o livro!

(Quando os amigos me passarem o endereço do podcast eu lhes encaminho.)

Ainda nenhum comentário.

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