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Celebremos os 60 anos de Revolver

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Ilustração: capa do disco Revolver, dos Beatles/Divulgação

Faço o registro como obrigação – e também porque me é afetuosamente pessoal.

Completou-se ontem 60 anos do  lançamento oficial do álbum Revolver, dos Beatles.

Falei em obrigação porque entendo, a mim e aos meus contemporâneos, como tal…

… a data a celebrar:

5 de agosto de 1966.

Quando éramos os garotos que amavam os Beatles e os Rolling Stones.

Ô-laraia-laia-laia…

Incrível o suave e imperceptível deslizar do tempo.

Querem que eu diga?

Eu digo, pois.

Dou-lhes o contexto:

Esse Mundão era bem outro.

Melhor?

Pior?

Sei que era outro.

A gosto do freguês. Ou do ouvinte… 

As canções – reitero: todas as canções nos alcançavam pelo etéreo das ondas do rádio.

Tocava de tudo. Juntos e misturados. Entre boleros e sambas-canções, standards da bossa-nova, guarânias, o roquezinho-brejeito da Jovem Guarda e a emergente MPB inserida na Era dos Festivais.

Não parecia haver a distinção de gêneros.

Talvez porque tivesse, à época, 15 anos.

Talvez  porque fosse feito de sonho, tantos e tamanhos. E havia os receios, os medos, o prospectar do futuro, aquele que nunca nos chega.

Talvez por tudo isso – e mais algum sentimento que agora me escapa, eu creditava…

Acreditava piamente que me embalavam todas as canções.

Éramos todas as canções.

Com a ressalva:

Quando tocava qualquer das músicas dos Beatles, mais do que o embalar-se, o garotão cabeludo que um dia fui sabia que aqueles versos falavam por nós – e, lá no fundo do coração, versos e melodias nos pertenciam. Simples assim.

Tenho um bom amigo, o Bruno, que se diz ‘o quinto Beatle” – então, a ele, eu pergunto:

“Tô certo ou tô errado?”.

TRILHA SONORA

Ops…

Não lhes disse do disco propriamente dito. Que foi um marco na carreira dos garotos de Liverpool que, a partir deste sétimo trabalho autoral, tornaram-se, digamos assim, adultos. E projetaram novos e inebriantes rumos para a jovem música popular de então.. Entendam, por favor. Isso tudo eu soube depois, quando já um repórter velhusco. Naquela ocasião, quando do lançamento do álbum, como eu disse anteriormente, as músicas nos chegavam uma a uma pelas ondas sonoras do rádio. E cada uma delas, por si só, isoladamente nos encantavam e nos representavam.

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