Foto ilustração: Blog do Rodolfo Martini/Arquivo
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Sempre trabalhei em redações de jornais e revistas impressos.
O blogueiro que insisto ser é mais, e verdadeiramente, o prolongamento do colunista, empilhador de letrinhas atrás de letrinhas, que um dia fui.
“Um cronista de jornal, hahaha…” – como preza em me aborrecer o amigo Escova.
Por uns três meses, se tanto, lá nos mais antigos dos anos (1983, acho), passei pela rádio Gazeta FM como produtor de um programa semanal chamado “MPB em Destaque”.
O convite partiu do amigo Álvaro Soares, então contratado para ser diretor artístico da emissora da Avenida Paulista, número 900. A ideia do Álvaro era devolver à Gazeta FM sua origem como projeto de criação: ser uma estação de rádio, voltada única e exclusivamente para a música instrumental.
Nos finais de semana, a grade da programação era diferenciada – e, em teoria, entregue à produção de especialista nos mais diversos gêneros. Lembro assim, por alto, que a estrela da casa era o grande Roberto Corte Real, pioneiro radialista e renomado produtor musical. Ele cuidava à perfeição do programa de jazz. O Álvaro era responsável por outra atração, a que tinha foco nas trilhas musicais de filmes famosos e assim seguia o sábado e o domingo, com música latina, standards da música americana, clássicos do cancioneiro internacional, música erudita, entre outros.
Como lhes disse acima, eu cuidava do tal “MPB em Destaque”. Fazia a produção que consistia em: 1 – escolher o tema semanal, 2 – selecionar intérpretes e canções, 3 – escrever um texto que desse conta de alinhavar e ilustrar a proposta do tema escolhido… Isso feito, entregava o material em mãos do programador e do locutor (esqueci o nome) de voz sóbria e ao mesmo tempo coloquial.
Gravávamos nas noites de sextas-feiras.
O programa ia ao ar aos domingos às 19 horas (depois era reprisado na madrugada).
Durou pouco a experiência. O Álvaro se indispôs com a direção da Fundação Cásper Líbero, mantenedora da rádio.
Pode ter sido o contrário também.
O projeto não vingou. Não deu audiência.
O certo mesmo é que os santos do Álvaro e os da Fundação não bateram.
Quando ele saiu – saímos com ele.
Inevitável.
Semanas depois quando fui acertar as contas, soube que, nos bastidores da emissora, éramos vistos como “elitistas”.
Uia.
Elitista, eu? De família de alfaiates, costureiras, tecelãos e neto do vô Carlito, chapeleiro da Ramenzoni. Entendo-me como um cara simples, filho genuíno do bairro operário do Cambuci.
Não entendi, mas vou lhes dizer.
Gostei da experiência, mas não tive impulsos de repeti-la em outro lugar.
Muito trabalho e o pró-labore, a grana miúda que pagaria as contas do mês, pois é, meus caros e raros… esse suado dinheirinho, pouco que fosse, não vi a cor. Nunca, nunquinha.
Elista vive de vento, é?
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TRILHA SONORA
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