Foto: Arquivo Pessoal
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Não me lembro precisamente de onde veio a frase que dá origem ao título de hoje.
Parece fala de personagens do Jô Soares nos seus tempos de humor na Globo.
O grande Tonico Marques, chefão-mor e semiaposentado editor quando cheguei à Velha Redação, preferia nos orientar nos primeiros passos do exercício da reportagem com mais rigor:
“A pergunta certa, no momento certo. Pergunte com educação, mas pergunte”.
E concluía:
“A função do repórter é fazer perguntas”.
“Não existe pergunta incômoda. Já a resposta, sim, é que são elas…”
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A pergunta certa, no momento certo – eis o desafio.
Não sei se o feeling da “pergunta certa, no momento certo” se aprende nas aulas de Técnicas de Entrevistas do curso de Jornalismo (A bem da verdade, nem sequer sei se a disciplina continua no currículo da moçada que hoje em dia usa mais o celular, o zap e as redes sociais para conversar com o entrevistado. Mas, isso é outro assunto…).
Sei que a ação exige sensibilidade e algum repertório de vivências para segurar o tranco da reação que inevitavelmente causará.
O jornalista precisa ter minimamente uma antevisão dos fatos e das consequências.
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Lembro-me de duas questões que, tenho para mim, mudaram o rumo da História recente do país. Dois questionamentos feitos pelo jornalista Boris Casoy ao candidato a prefeito de São Paulo, o senador Fernando Henrique Cardoso, nas eleições de 1985, durante o tradicional debate entre candidatos.
Casoy perguntou:
“Senador, o Sr. já fumou maconha?”
Tssss…
No bloco seguinte, sapecou outra:
“Senador, o Sr. acredita em Deus?”
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Cabe o contexto:
1 – numa entrevista antiga à Revista Playboy, FHC, então com fama de refinado sociólogo, admitiu haver experimentado a droga em tempos idos, quando ainda era jovem. Na mesma reportagem, ele se declarou ateu. Não ter religião.
2 – dias atrás, o já candidato FHC aproveitou o 12 de Outubro para aparecer, com pompa e circunstâncias eleitoreiras, nas celebrações religiosas do dia da Padroeira do Brasil.
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As perguntas fazem parte do folclore do jornalismo brazuca. Ficaram famosas.
FHC desconversou nas respostas (que nem sequer me recordo) repletas de evasivas.
Dias depois, perdeu o pleito por pequena margem para Jânio Quadros que assim se elegeu o primeiro prefeito paulistano do pós-ditadura.
A vitória era tida como certa.
Dizia-se, na ocasião, que o MDB, o partido de FHC, elegeria até um poste.
Houve analistas políticos que, na ocasião, contundentes no diagnóstico da derrota: o vacilo durante o debate teve influência direta num eleitorado conservador e desconfiado, como o paulistano.
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Dou um salto no tempo.
Soube que uma pergunta que ontem ressoou nas imediações do Supremo Tribunal Federal provocou um rebuliço na vida pública brasileira.
O dólar subiu.
A Bolsa caiu.
A Faria Lima tremeu-se toda.
Aliados à direita espantaram-se. (Uns mais, outros menos).
Foi um furdúncio generalizado, de consequências imprevisíveis.
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A pergunta certa, no momento certo.
O nome do repórter, fiz questão de saber, é Thalys Alcântara, do Intercept Brasil.
Boa, garoto!
O Jornalismo resiste.
Isso é vida para a democracia.
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No mais, quem quiser…
Clique AQUI para ler a íntegra da reportagem:
Estou e estarei sempre contigo
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