Foto: Rio Guadalquivir, em Sevilha, o único rio navegável da Espanha/Blog do RCM
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Leio a crônica do Rubem Braga – Noite de chuva em Sevilha – e me ponho a pensar.
Nosso melhor cronista narra a experiência que viveu em uma noite de chuva grossa e ininterrupta que o pegou na linda cidade da Andaluzia.
Ele estava em viagem para o Marrocos (onde era do corpo diplomático brasileiro), mas resolveu fazer um pernoite em plagas de Espanha.
Olé…
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O Velho Braga conta que procurou refúgio da tempestade numa boate chamada Bodega. Que lhe pareceu bastante convidativa e, vá lá, aconchegante para um brasileiro solitário, sedento e curioso das gentes do mundo.
Além do que, ficava próxima ao hotel em que se instalara.
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Lá pelas tantas, entre as atrações da noite, surge um mágico alemão anunciado como “de renome internacional”. No palco, o tedesco fazia o que podia para prender a atenção dos espectadores. Que, a bem da verdade, estavam mais preocupados com as fortes pancadas de chuva do que propriamente com os truques que o tal apresentava.
O grande momento do show se deu quando o homem enfiou na boca uma dúzia de giletes e… Foi exatamente aí que uma senhora americana – etilicamente alegre – saiu de sua mesa, partiu para cima do mágico e perguntou:
– Do you speak English?
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O que aconteceu?
Não sei.
O cronista e seus lampejos criativos.
Braga termina o texto a ressaltar que não lhe foi possível contar o final dessa extraordinária história em Sevilha.
“Toda história tem vez de ser contada” – escreve ele.
“E acho que esta perdeu a sua… Também chovia demais.”
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Releio a crônica e me perco em vagas recordações.
Também estive em Sevilha.
Faz alguns bons anos.
Para ser sincero, andei numa das semanas de ensolarado outubro pela Andaluzia. Visitei também as cidades de Córdoba e Granada. Depois, esticamos até Valência, onde pegamos o voo de volta para o Brasil.
Não choveu. Parecia verão.
As pessoas andavam pra lá e pra cá, todas, bem felizes.
Mas era outubro, ensolarado outubro, como disse acima.
É quase só o que me lembro.
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Para que esta história não perca vez de ser contada, como aconteceu ao cronista, digo-lhes que…
Tenho vaga impressão de andar pela realeza moura do Palácio de Alhambra em Granada, de perder-me na escuridão e silêncio na mesquita em Córdoba (e também de ver um alegre cortejo religioso pelas ruas da cidade), de me sentir testemunha ocular da história na vazia Plaza de Toros de la Real Maestranza em Sevilha. Naquele dia… Nem touros, nem toureiros, nem multidão. (Ainda bem.)
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Ah, lembro um barco antigo (uma caravela?) atracado no porto do Rio Guadalquivir.
Chamou minha atenção. Parecia esperar alguém importante.
Alguma nobre princesa, um rei, um príncipe, condes e barões, a corte toda?
“Não, a nau só leva turistas para passeios ligeiros.”
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Não me animei em fazer o tal giro nas águas do Guadalquivir, o único rio navegável da Espanha.
Não me ocorre agora o motivo.
Perdi a vez.
Lembro apenas que fazia um lindo dia de sol.
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TRILHA SONORA
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