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Pássaro madrugador

Já lhes falei aqui em certo fantasma que deu de me acordar madrugada adentro com o arrastar de correntes e uivos graficamente tão em voga.

— Uahuahuahuahuahuahuah…

Era pontual a tal assombração. Às 3h40 da matina, despertava-me.

Antes de qualquer pensamento meu, lá vinha o alerta:

— Uahuahuahuahuahuahuah…

II.

Como lhes disse, naquele texto (post de 24.01.2007), aprendi a conviver com a figura. E olhe que nem foi preciso a intervenção de quaisquer caça-fantasmas desses que se vê em filmes antigos. Também não pedi a intervenção do Padre Quevedo. Evitei entrar em rota de colisão. Fiz de conta que não era comigo.

A “penadinha” bem que tentou dar sinal de vida – quanta ironia! Mas, passei a não lhe dar crédito, fosse qual fosse a hora da noite que aparecesse. Ou melhor, que se fizesse ouvir.

— Uahuahuahuahuahuahuah…

Aliás, ver mesmo, eu nunca vi.

III.

Mas, por que mesmo estou a lembrar o ocorrido, datado e lavrado aqui mesmo neste modesto espaço?

Ah! Sim, claro!

É que há duas noites, por volta daquele mesmo horário, acordo com os gorjeios de um pássaro madrugador que sei lá onde está. Imagino que o som venha do apartamento do andar logo acima do meu, o 20o.

Certeza, certeza, não tenho.

Mas, é provável.

IV.

A me intrigar, consta o faro de que nunca havia ouvido nada – e moro aqui, no 19o, há alguns bons anos. Também não me consta a chegada de novos inquilinos e sequer cheguei a trombar no elevador com alguém portando uma gaiola.

Enfim…

O leitor que gentilmente me lê sabe: sou um urbanóide convicto. Portanto, pouco afeito a esses requintes, diria, líricos/campestres. Por isso, nem ouso descrever o cantar do distinto. Também não arriscaria dizer se é canário, pintassilgo ou sanhaço.

Sei que me encafifa esse trinar melancólico e fora de hora.

Dura não mais que 10 ou 15 minutos.

Depois, o bichinho, desconfio, volta a dormir…

V.

Coisa que comigo – para vocês verem como é esta vida – não acontece. Não consigo engatar a seqüência do sono. Fico, então, perambulando pelo apartamento às escuras a remoer compromissos e afazeres que enfrentarei dia afora.

Vou lhes confessar.

Pois não é que, nessa hora, me dá uma saudade daquela “penadinha”.

— Uahuahuahuahuahuahuahuah…

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