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Nos tempos da chuteira Olť
30/09/2008
 

… aniversŠrio do Waltinho, do Huracan da VŠrzea do Glicťrio.Tambťm conhecido como Solado quando jogava pelo Nitro QuŪmica de S„o Miguel Paulista ou Walter na gloriosa passagem pelo Santos do Cambuci.

N„o vi os jogos do Waltinho na primeira fase do Huracan, quando ainda era um jovem e promissor lateral-esquerdo, de fino trato com a bola. Dos seus tempos de Solado, no Nitro QuŪmica, soube sů que, ali, nos confins da Zona Leste, o bicho pegava pra valer. Boleiro precisava saber do riscado Ė e tambťm ser raÁudo. Importante: uma coisa n„o excluŪa a outra. N„o bastava ser esforÁado, precisava ser craque.

E Waltinho/Solado era.

T„o bom que foi convocado para seleÁ„o do futebol de vŠrzea que o jornal Gazeta Esportiva promovia todos os anos. Era uma festa. Formavam-se algumas equipes, tipo bala mistura, como se dizia ent„o, com os melhores jogadores advindos dos mais tradicionais clubes de vŠrzea da cidade. AŪ, se realizava um torneio entre os times Ė e a turma Waltinho/Solado sagrou-se campe„o, treinado por um ex-jogador chamado Del Dťbio.

Os Ďolheirosí dos clubes profissionais ficavam atentos.

Foi por essa ťpoca que ele recebeu o convite para treinar na Portuguesa de Desportos, agremiaÁ„o ainda considerada entre as cinco grandes de S„o Paulo. Mas, o moÁo era arrimo de famŪlia Ė perdera o pai, o barbeiro Josť, muito cedo Ė e preferiu n„o arriscar. Quer dizer, n„o que tenha preferido, preferido. Desde 14 anos trabalhava de protťtico Ė e n„o iria trocar o certo pelo duvidoso.

Atť porque jogador de futebol n„o ganhava tanto dinheiro assim.

E se as coisas n„o saŪssem lŠ como ele gostaria e imaginara?

Enfim...

… da vida, dos amores e do futebol em todos os tempos.

Conheci o Waltinho/Solado jŠ Walter quando jogava no Santos do Cambuci Ė um timaÁo com ataque inesquecŪvel aos meus olhos de menino: Careca, Queiroz, Espanhol, Afonsinho e Garrinchinha, o primeiro mestiÁo de japonÍs com mulata que vi fazendo peripťcias com a bola.

Walter fez um ou dois jogos no Ďsegundinhoí e logo foi alÁado ao primeiro, o time principal. Domingo, sim; domingo, n„o, o Santos jogava no estŠdio distrital da AclimaÁ„o, campo gramado e tudo. Era imbatŪvel como mandante. Quando saŪa para jogar fora, no campo do adversŠrio, enfrentava a press„o da torcida rival e as artimanhas dos juŪzes caseiros. Mesmo assim, sabia se impor em campo e fazia um bonito papel.

Como disse a vocÍs, eu era menino de tudo, onze, doze anos. Comemorava os gols do Careca ou do Espanhol, mas queria mesmo jogar como o Waltinho jogava. Era tanto o meu desejo que, ŗs vezes, atť as chuteiras dele eu pegava emprestadas para dar meus piques no time do Colťgio Marista Nossa Senhora da Glůria. Sonso do jeito que sou, acreditava piamente que o talento vinha com o par de chuteiras Olť, recťm-lanÁadas, com solado de borracha Ė uma novidade para a ťpoca.

Por isso, ainda agora, tanto anos depois, ainda reluto em perdoar minha irm„ Rosa. De tanto choramingar que queria passear aos domingos, ela acabou com a carreira futebolŪstica do Waltinho, meu Ūdolo e seu marido...

 
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